domingo, 10 de setembro de 2017

DINHEIRO É TEMPO, MAS TEMPO NEM SEMPRE É DINHEIRO.


DINHEIRO É TEMPO, MAS TEMPO NEM SEMPRE É DINHEIRO.

 

I
Em sociedades capitalistas, altamente industrializadas, tecnológicas e informatizadas como a que hoje globalmente se vive, dinheiro é tempo, mas tempo nem sempre é dinheiro.
“Como assim?” – talvez esteja se perguntando o leitor.
Simples: pensem na quantidade de pessoas desempregadas, semianalfabetas, desqualificadas, alienadas, viciadas... Pensem nos mendigos, naqueles que não gozam de boa saúde, nos aposentados pobres, naqueles que passam a vida, mesmo por opção, na ociosidade, etc. Enfim, pensem naquelas pessoas que você conhece que possuem tempo dito de sobra, mas, em contrapartida, pouco ou nenhum dinheiro.
Ser rico, financeiramente falando, nesse sentido:
1-   É ser sempre aquele ou aquela que tem ou ganha mais dinheiro do que precisa para poder viver (e não apenas sobrevier);
2-   É ter dinheiro para comprar tempo ou ter tempo livre (sob a forma de dinheiro acumulado) que o permita poder pensar, objetivando construir novas formas de se ganhar mais tempo ou dinheiro etc.;
3-   É ter tempo ou dinheiro suficiente para poder dormir, namorar, fazer sexo ou amor, se alimentar bem ou corretamente, praticar esportes, trabalhar no que gosta ou deseja (e não por necessidade), usufruir de bons momentos de lazer etc.
II
“E ser pobre?”
Essa pergunta, no mundo atual, embora talvez pareça, não é fácil de responder, uma vez que, hoje, em virtude da crescente elevação do poder de compra ou de consumo da população economicamente ativa sem a correspondente elevação do poder de renda, muitas pessoas pobres ou de classe média têm alienadamente se achado ricas.
“Pobres”, por exemplo – muitas pessoas pobres ou de classe média pensam e/ou dizem –, “são sempre as outras ou os outros, aqueles que não podem parcelar as suas dívidas”, mas nunca elas.
Ser pobre, dentro do axioma “Dinheiro é tempo, mas tempo nem sempre é dinheiro”, sendo assim, pensa-se aqui:
1-   É ter tempo e não ter dinheiro (ou não ter tempo nem ter dinheiro) suficiente para viver de forma digna;
2-   É também, caso se tenha tempo e não se tenha dinheiro, não saber o que fazer com ele, com o tempo livre que se tem, em prol de si, objetivando, inclusive, ganhar mais tempo ou dinheiro.
O primeiro caso (ter tempo e não ter dinheiro ou não ter tempo nem dinheiro), refere-se a pessoas pobres que estão trabalhando como assalariadas, isto é, a pessoas que estão vendendo barato o seu tempo, não ganhando dinheiro suficiente para que possam viver de maneira digna.
Explico-me:
1-   Em busca de dinheiro para subsistir, a pessoa pobre vende barato, sob a forma de trabalho pouco ou não qualificado, parte do seu tempo;
2-   Ao receber o seu baixo salário, sob a forma de tempo de trabalho vendido ao empregador, depois de subtraído dele a mais-valia[1], o empregado não tem como usufruir satisfatoriamente do salário recebido. Por exemplo, uma pessoa pobre que, das 24 horas do dia, gasta no mínimo 8 horas trabalhando para receber um salário mínimo, 8 horas em média dormindo, cerca de 3 horas com transportes, indo e voltando do trabalho, só dispõe de pouco mais de 4 ou 5 horas diárias para se alimentar, cuidar da higiene pessoal, se divertir, namorar, fazer sexo ou amor, praticar algum esporte, estudar, etc. Ou seja, se essa pessoa pobre trabalha, vende grande parte do seu tempo, e não ganha dinheiro (tempo) suficiente para viver, o dinheiro (tempo) que ela ganha trabalhando é uma falácia: corresponde a menos tempo do que ela vendeu em troca de dinheiro.
III
A conclusão a que se chega é:
1-   Não adianta ter tempo livre (e não saber bem usá-lo em prol de si mesmo);
2-   Não adianta ter tempo livre e não ter dinheiro, isto é, não ter também tempo livre, sob a forma de dinheiro acumulado, já que “dinheiro é tempo, mas tempo nem sempre é dinheiro”; 
3-   Não adianta ter dinheiro e não saber comprar ou investi-lo em tempo para viver bem ou para ganhar mais dinheiro. Ou seja:
4-   Não adianta ter dinheiro e não saber investi-o e nem tampouco usufruir dele como tempo livre necessário para poder gozar de saúde e bem-estar.
IV
Existem, dentro desse contexto, pode-se dizer, dois tipos de seres abomináveis no mundo: 1- os desperdiçadores; 2- e os avarentos.
Os primeiros (desperdiçadores) jogam tempo e dinheiro fora, no lixo: gastam tempo e dinheiro com coisas que não trazem bom retorno, não promovem a saúde do corpo e nem elevam o espírito e/ou a alma.
Os segundos (avarentos) economizam tempo e dinheiro ao extremo: impedem a si mesmos e aos seus de viverem uma vida digna, próspera e feliz.
Deus, seja lá que Ele for, embora não saibam muitos, abomina tanto os primeiros quanto os segundos.
O segredo para a felicidade, segundo a ética Aristotélica, sendo assim, é buscar o chamado justo meio. Isto é, procurar não pecar nem pelo excesso e nem pela falta.


[1] Trabalho não pago ao trabalhador ou lucro do patrão ganho em cima do trabalho do trabalhador, uma vez que o mesmo também é colocado como mercadoria dentro do processo produtivo.

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