I
Em sociedades
capitalistas, altamente industrializadas, tecnológicas e informatizadas como a
que hoje globalmente se vive, dinheiro é tempo, mas tempo nem sempre é
dinheiro.
“Como assim?” – talvez
esteja se perguntando o leitor.
Simples: pensem na
quantidade de pessoas desempregadas, semianalfabetas, desqualificadas,
alienadas, viciadas... Pensem nos mendigos, naqueles que não gozam de boa
saúde, nos aposentados pobres, naqueles que passam a vida, mesmo por opção, na
ociosidade, etc. Enfim, pensem naquelas pessoas que você conhece que possuem
tempo dito de sobra, mas, em contrapartida, pouco ou nenhum dinheiro.
Ser rico, financeiramente
falando, nesse sentido:
1-
É ser sempre aquele ou aquela que tem ou
ganha mais dinheiro do que precisa para poder viver (e não apenas sobrevier);
2-
É ter dinheiro para comprar tempo ou ter
tempo livre (sob a forma de dinheiro acumulado) que o permita poder pensar,
objetivando construir novas formas de se ganhar mais tempo ou dinheiro etc.;
3-
É ter tempo ou dinheiro suficiente para
poder dormir, namorar, fazer sexo ou amor, se alimentar bem ou corretamente,
praticar esportes, trabalhar no que gosta ou deseja (e não por necessidade),
usufruir de bons momentos de lazer etc.
II
“E ser pobre?”
Essa pergunta, no mundo
atual, embora talvez pareça, não é fácil de responder, uma vez que, hoje, em
virtude da crescente elevação do poder de compra ou de consumo da população
economicamente ativa sem a correspondente elevação do poder de renda, muitas
pessoas pobres ou de classe média têm alienadamente se achado ricas.
“Pobres”, por exemplo –
muitas pessoas pobres ou de classe média pensam e/ou dizem –, “são sempre as
outras ou os outros, aqueles que não podem parcelar as suas dívidas”, mas nunca
elas.
Ser pobre, dentro do
axioma “Dinheiro é tempo, mas tempo nem
sempre é dinheiro”, sendo assim, pensa-se aqui:
1-
É ter tempo e não ter dinheiro (ou não ter
tempo nem ter dinheiro) suficiente para viver de forma digna;
2-
É também, caso se tenha tempo e não se tenha
dinheiro, não saber o que fazer com ele, com o tempo livre que se tem, em prol
de si, objetivando, inclusive, ganhar mais tempo ou dinheiro.
O primeiro caso (ter tempo
e não ter dinheiro ou não ter tempo nem dinheiro), refere-se a pessoas pobres
que estão trabalhando como assalariadas, isto é, a pessoas que estão vendendo
barato o seu tempo, não ganhando dinheiro suficiente para que possam viver de
maneira digna.
Explico-me:
1-
Em busca de dinheiro para subsistir, a
pessoa pobre vende barato, sob a forma de trabalho pouco ou não qualificado,
parte do seu tempo;
2-
Ao receber o seu baixo salário, sob a forma
de tempo de trabalho vendido ao empregador, depois de subtraído dele a
mais-valia,
o empregado não tem como usufruir satisfatoriamente do salário recebido. Por
exemplo, uma pessoa pobre que, das 24 horas do dia, gasta no mínimo 8 horas
trabalhando para receber um salário mínimo, 8 horas em média dormindo, cerca de
3 horas com transportes, indo e voltando do trabalho, só dispõe de pouco mais
de 4 ou 5 horas diárias para se alimentar, cuidar da higiene pessoal, se
divertir, namorar, fazer sexo ou amor, praticar algum esporte, estudar, etc. Ou
seja, se essa pessoa pobre trabalha, vende grande parte do seu tempo, e não
ganha dinheiro (tempo) suficiente para viver, o dinheiro (tempo) que ela ganha
trabalhando é uma falácia: corresponde a menos tempo do que ela vendeu em troca
de dinheiro.
III
A conclusão a que se chega
é:
1-
Não adianta ter tempo livre (e não saber
bem usá-lo em prol de si mesmo);
2-
Não adianta ter tempo livre e não ter
dinheiro, isto é, não ter também tempo livre, sob a forma de dinheiro
acumulado, já que “dinheiro é tempo, mas tempo nem sempre é dinheiro”;
3-
Não adianta ter dinheiro e não saber
comprar ou investi-lo em tempo para viver bem ou para ganhar mais dinheiro. Ou
seja:
4-
Não adianta ter dinheiro e não saber investi-o
e nem tampouco usufruir dele como tempo livre necessário para poder gozar de
saúde e bem-estar.
IV
Existem, dentro desse
contexto, pode-se dizer, dois tipos de seres abomináveis no mundo: 1- os
desperdiçadores; 2- e os avarentos.
Os primeiros (desperdiçadores)
jogam tempo e dinheiro fora, no lixo: gastam tempo e dinheiro com coisas que
não trazem bom retorno, não promovem a saúde do corpo e nem elevam o espírito
e/ou a alma.
Os segundos (avarentos) economizam
tempo e dinheiro ao extremo: impedem a si mesmos e aos seus de viverem uma vida
digna, próspera e feliz.
Deus, seja lá que Ele for,
embora não saibam muitos, abomina tanto os primeiros quanto os segundos.
O segredo para a felicidade,
segundo a ética Aristotélica, sendo assim, é buscar o chamado justo meio. Isto
é, procurar não pecar nem pelo excesso e nem pela falta.